O "fibermaxxing" viralizou com nome de suplemento, mas é a coisa mais simples do mundo: comer mais fibra de propósito. Veja quanto você precisa, de onde tirar gastando pouco e o erro que dá gases.
Viralizou no TikTok e no Instagram com um nome que parece pré-treino de academia, mas o "fibermaxxing" é a coisa menos moderna que existe. É comer mais fibra de propósito. Só isso. Nada de pó caro nem fórmula secreta: é botar mais feijão, aveia, fruta com casca e verdura no prato ao longo do dia, e prestar atenção nisso do mesmo jeito que você presta na proteína.
E faz sentido a coisa ter pegado, porque o brasileiro come pouca fibra. Um estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, usando dados de mais de 34 mil pessoas da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, mostrou que 77% da população tinha consumo insuficiente de fibra. Ou seja, não é você que é o esquisito por não bater a meta. É quase todo mundo.
O INCA, que é o Instituto Nacional de Câncer ligado ao Ministério da Saúde, recomenda de 25 a 30 gramas de fibra por dia para um adulto saudável. Na prática, isso dá pelo menos cinco porções de frutas e vegetais sem amido, mais umas três porções de cereais integrais, tipo meia xícara de aveia ou de arroz integral em cada uma.
Tem outra forma de olhar, que aparece numa revisão dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia: mirar em 14 gramas de fibra para cada 1.000 calorias que você come. Quem come 2.000 kcal por dia cai naquela faixa dos 25 a 30 gramas. Bate certinho. A galera do fibermaxxing costuma empurrar um pouco mais, algo como 25 a 35 gramas, mas o princípio é o mesmo: chegar perto da meta em vez de comer 10 gramas e achar que está tudo certo.
Aqui está a parte que interessa quem quer emagrecer ou parar de sentir fome duas horas depois do almoço. A mesma revisão dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia explica o mecanismo. As fibras solúveis mais viscosas, como a pectina das frutas, a beta-glucana da aveia e a goma guar, se dissolvem em água e formam um gel dentro do intestino. Esse gel retarda o esvaziamento do estômago e a absorção dos nutrientes, e o resultado é que você segue se sentindo cheio por mais tempo.
Não é conversa de influenciador. Foram justamente as fibras de maior viscosidade as que mais reduziram o apetite e a quantidade de comida ingerida nos estudos. E tem mais: a fibra solúvel também segura o pico de açúcar no sangue depois da refeição, e uma síntese de 16 ensaios clínicos apontou que suplementar fibra ajudou na redução de peso em comparação com o placebo. A fibra não é remédio mágico, mas trabalha a seu favor sem você precisar passar fome.
A boa notícia é que a comida mais barata do Brasil é justamente a que mais tem fibra. Naquele mesmo estudo da POF, arroz e feijão sozinhos respondiam por mais da metade de toda a fibra que o brasileiro consome. Então o básico já resolve boa parte da conta.
Alimentos in natura e minimamente processados têm cerca de três vezes mais fibra por caloria do que os ultraprocessados. Onde procurar, sem estourar o orçamento:
Repara que nenhum deles é caro nem chique. E cuidado com a pegadinha do supermercado: o INCA avisa que a maioria dos cereais matinais e das barrinhas industrializadas é ultraprocessada e deve ser evitada, mesmo quando o rótulo grita "fonte de fibras" na frente do pacote. Fibra de verdade vem de comida de verdade.
Para você ver que dá para chegar nos 25 a 30 gramas sem esforço nem dieta maluca, um dia comum ficaria mais ou menos assim:
Sem pesar cada grama, só com esse desenho você provavelmente já encosta na meta. É bem menos complicado do que a internet faz parecer.
Agora o aviso que quase ninguém dá, e que talvez seja o mais importante: aumente a fibra aos poucos. Se você come 10 gramas por dia hoje e amanhã enfia 35 de uma vez, seu intestino não vai gostar. Dá gás, inchaço, cólica, aquele mal-estar. A própria nutricionista Caroline Campos, ao comentar a tendência do fibermaxxing para o Metrópoles, reforça isso: subir a fibra de forma gradual e priorizar as solúveis, como quiabo, abacate, aveia, lentilha e couve-de-bruxelas.
E tem um detalhe que faz toda a diferença: beba mais água. Lembra do gel que a fibra forma? Ela precisa de líquido para funcionar direito. Fibra sem água é o caminho mais curto para o intestino travar em vez de soltar. Se você vai comer mais fibra, tem que beber mais também. Não tem jeito.
Uma ressalva honesta: comer o máximo de fibra possível não serve para todo mundo. Quem tem doença inflamatória intestinal deve conversar com o médico antes de aumentar, porque nesses casos o ajuste é individual. Para a maioria das pessoas, porém, o problema é o contrário: falta fibra, não sobra.
Se você quiser tirar da adivinhação e ver na prática quanto anda comendo, dá para acompanhar a fibra junto com as calorias e os macros no NuFocco. Bater a meta fica bem mais fácil quando você enxerga o número em vez de chutar. E aí é só ir ajustando o prato até virar hábito.