
A pontada lateral costuma ser passageira, mas sua causa não está totalmente esclarecida. Veja como reduzir o ritmo, testar alívio e reconhecer quando a dor precisa de avaliação.
A pontada aparece de repente, geralmente perto das costelas, e parece escolher justamente o momento em que a corrida começava a encaixar. Na maioria das vezes, esse desconforto passageiro tem um nome: dor abdominal transitória relacionada ao exercício. Também é chamada de pontada lateral. Ela é comum na corrida, mas isso não transforma toda dor abdominal durante o esforço na mesma coisa.
A descrição mais frequente é de uma dor bem localizada na lateral do abdômen, muitas vezes junto à borda das costelas. Quando leve, pode parecer peso, repuxo ou cólica. Quando aperta, fica aguda, como uma fisgada. Às vezes há incômodo na ponta do ombro. Ela costuma surgir durante o exercício e melhorar quando a pessoa reduz o ritmo ou para.
O nome popular culpa o baço, o fígado ou uma cãibra no diafragma, dependendo de quem conta a história. A ciência ainda não fechou a causa. Uma revisão publicada na revista Sports Medicine analisou várias hipóteses e considerou a irritação do peritônio parietal uma explicação plausível, mas deixou claro que faltam pesquisas para confirmar o mecanismo. Tratar a teoria como diagnóstico certo seria ir além da evidência.
O que se observa com mais consistência é a relação com atividades que movimentam o tronco repetidamente, como a corrida. Comer ou beber grandes volumes perto do exercício também pode favorecer o episódio, sobretudo com bebidas muito concentradas em carboidratos.
Primeiro, diminua para um trote bem leve ou caminhe. Se não aliviar, pare. Essa é a medida mais confiável descrita na revisão, embora seja frustrante para quem queria completar o percurso sem interrupção.
Pressionar suavemente o ponto dolorido, inclinar um pouco o tronco para a frente e respirar de maneira controlada são manobras relatadas por corredores e em estudos pequenos. Elas podem ajudar algumas pessoas, mas não têm evidência forte o bastante para prometer alívio. Se tentar uma delas, faça sem prender o ar e sem apertar o abdômen com força.
Não use a dor como desafio mental. Forçar o mesmo ritmo enquanto a fisgada aumenta não ensina o corpo a superá-la. Para quem está aprendendo como começar a correr, caminhar por um trecho e retomar somente depois que o desconforto ceder é uma decisão sensata.
Não existe protocolo capaz de impedir toda pontada. Dá para fazer pequenos testes e observar o seu padrão. Se o episódio aparece depois de uma refeição grande, experimente deixar mais tempo entre essa refeição e a corrida. A revisão sugere evitar grandes volumes de comida e bebida nas duas horas anteriores ao exercício, com intervalo maior para pessoas mais suscetíveis. Isso não significa correr em jejum nem cortar água.
Chegue hidratado e, durante a atividade, prefira goles menores de bebidas que você já conhece. Evite estrear um isotônico muito doce ou tomar uma garrafa inteira logo antes de sair. Necessidade de líquidos e alimentação muda com duração, clima e características pessoais, então um nutricionista pode ajustar a estratégia quando os treinos ficam mais longos.
Começar devagar também facilita a leitura do corpo. Use os primeiros minutos para caminhar e trotar, sem largar no ritmo que você gostaria de sustentar no fim. Melhorar postura e força do tronco aparece entre as estratégias propostas na literatura, mas não deve ser vendido como cura. Se a pontada é recorrente, anote quando surgiu, o que você comeu e bebeu, o ritmo e quanto demorou para passar. Esse registro ajuda a encontrar padrões e dá informação útil a um profissional.
A pontada lateral típica é passageira e ligada ao exercício. Procure avaliação se a dor não melhora depois que você para, aparece também em repouso, volta com frequência a ponto de limitar o treino ou muda de localização e intensidade. Uma apresentação atípica precisa ser examinada porque várias estruturas do abdômen e do tórax podem produzir dor parecida.
Interrompa a corrida e busque atendimento imediato diante de dor súbita e intensa, abdômen duro e muito sensível, sangue no vômito ou nas fezes, dor no peito, dificuldade para respirar, desmaio ou confusão. Esses sinais não devem ser chamados automaticamente de pontada de corredor, e um artigo não consegue identificar a causa.
Se a fisgada conhecida apareceu e cedeu ao caminhar, retome apenas se você estiver confortável, num passo mais leve. Se ela insiste em voltar, encerre a sessão. Um treino interrompido custa pouco. Ignorar uma dor fora do padrão pode custar bem mais.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Dor recorrente, intensa ou acompanhada de outros sintomas precisa ser examinada por um profissional de saúde.